Sérgio Reis
COMPASSO: 2/4
CADÊNCIA:
| I | V | I |
| IV | V | I |
I V
Toda vez que eu viajava pela estrada de Ouro Fino
I
De longe eu avistava a figura de um menino
V
Que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo
I
Toque o berrante, seu moço, que é pra eu ficar ouvindo
IV V
Quando a boiada passava e a poeira ia baixando
I
Eu jogava uma moeda e ele saía pulando
V
Obrigado, boiadeiro, que Deus vá lhe acompanhando
I
Pra aquele sertão afora meu berrante ia tocando
I V
No caminho desta vida muito espinho eu encontrei
I
Mas nenhum calou mais fundo do que isto que eu passei
V
Na minha viagem de volta qualquer coisa eu cismei
I
Vendo a porteira fechada, o menino não avistei
IV V
Apeei do meu cavalo num ranchinho beira-chão
I
Vi uma mulher chorando, quis saber qual a razão
V
Boiadeiro veio tarde, veja a cruz no estradão
I
Quem matou o meu filhinho foi um boi sem coração
I V
Lá pras bandas de Ouro Fino levando gado selvagem
I
Quando passo na porteira até vejo a sua imagem
V
O seu rangido tão triste mais parece uma mensagem
I
Daquele rosto trigueiro desejando-me boa viagem
IV V
A cruzinha do estradão do pensamento não sai
I
Eu já fiz um juramento que não esqueço jamais
V
Nem que o meu gado estoure, que eu precise ir atrás
I
Neste pedaço de chão berrante eu não toco mais
